Vamos iterar

Desde o início da especialização em design de interação (e acho que desde sempre), tenho o interesse bem voltado ao processo de design — ou seja, o que fazer e quando fazer. Desenvolvi três trabalhos sobre esse assunto durante o curso.

Hoje acordei pensando na 37Signals. Mais exatamente, em seu processo de desenvolvimento de aplicações web e como aplicar alguns dos conceitos do livro Getting Real em outros contextos.

Um dos conceitos do livro é que, no processo de desenvolvimento de uma aplicação, as iterações (não confundir “iteração” com “interação”) devem ser feitas o mais rápido possível, implementando inicialmente só as funcionalidades essenciais e já começar a utilizar o produto, de forma a obter feedback rápido e melhorá-lo logo.

A outra vantagem que eles pregam sobre esta abordagem — que me levou a escrever este post – é de que isso mantém alta a motivação da equipe.

Motivation is local — if you aren’t motivated by what you are working on right now, then chances are it’s not going to be anywhere near as good as it could be. In fact, it’s probably going to suck. — Jason Fried

No contexto da web, onde pode-se modificar o produto imediatamente após o seu lançamento, isso é muito bem aplicado. Mas, em casos onde o produto passa por um processo industrial antes de chegar ao público final, mudar algo depois que já foi lançado é, no mínimo, inviável.

Por outro lado, iterar um protótipo, é plenamente possível. Aliás, este é o propósito da sua existência. E, neste caso, vale uma outra recomendação da 37Signals: “optimize for change”, ou seja, favoreça as mudanças. No caso dos protótipos, utilize técnicas que os torne fáceis de modificar ou de refazer.

Mas o ponto onde eu queria chegar é o seguinte:

Vejo que no processo de alguns trabalhos de conclusão da especialização em design de interação, pelo menos os que eu tenho acompanhado (incluindo o meu), estamos tentando realizar uma etapa de pesquisa muito extensa e bem documentada. Mas o que percebo é que, a partir de certo ponto, o entusiasmo com o projeto acaba.

Afinal de contas, ir a campo, observar, conversar com as pessoas, fazer descobertas, é bem legal, mas convenhamos… somos designers. As idéias começam a borbulhar na cabeça e, principalmente quando há muito material coletado para processar, a pesquisa perde o glamour e as idéias borbulhantes acabam esfriando.

Portanto, acredito de verdade que a prática do design, sempre que possível, deveria favorecer iterações rápidas e, por conseqüência, a motivação do designer. Pelo bem do resultado final (um bom produto), inicialmente pode-se realizar pesquisa de forma mais superficial — proporcionando a geração das primeiras idéias — e aprofundar aos poucos o conhecimento sobre o contexto, testando e refinando os protótipos o máximo possível ou até onde o prazo deixar.

Publicado em 10/07/2008

Comentários

Concordo plenamente Fabrício!

A pesquisa tem de ser paralela ao processo de modelagem conceitual, paralela a geração de protótipos, as coisas devem ir fluindo e sendo testadas, mesmo para produtos. No caso da minha monografia por exemplo, sentiamos falta de fazer o protótipo e testar em campo com as crianças, mas como o trabalho era somente a parte de pesquisa (para adequar ao prazo que era curto), nos sentimos, lá no fundo, um tanto frustradas de nao “chegarmos la”.

Concluindo: Da mesma forma, que o designer não deve começar pela solução , também não deve começar pela pesquisa e esquecer da solução. As duas coisas devem caminhar juntas. Assim como vocês, vivi isso na monografia.

O ideal é achar o “ponto de fusão” hehe o ponto certo, a medida certa, para que o projeto passe da matéria líquida (pesquisa) ao sólido (protótipos) ;)

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