Um framework para design de experiência: Why, What, How

RJ Owen, num artigo para o site InsideRIA, define um framework que dividide a visão de um produto interativo em três partes: Why, What, How (Porquê, O Quê, Como).

  • O Porquê se refere ao contexto: modelo mental do usuário, seus objetivos, ambiente de uso;
  • O Quê é o conteúdo, a informação que deve ser transmitida, os dados; e
  • Como é referente à mecânica do processo, os elementos físicos e digitais com os quais a pessoa interage diretamente.

Esses elementos têm uma dependência hierárquica: se você não compreende o Porquê, é impossível definir corretamente O Quê será oferecido como conteúdo ou funcionalidade ao usuário. Da mesma forma, antes de saber O Quê, não se pode estabelecer Como será a interação.

Nessa linha, o autor faz uma crítica pertinente ao conceito estabelecido na web, que diz que “o conteúdo é rei” quando, na realidade, dentro desse framework, o rei seria o Porquê.

Fica evidente a semelhança com os elementos da experiência do usuário, de Garret: Porquê é equivalente ao primeiro nível (necessidades do usuário e objetivos do negócio), O Quê é análogo ao segundo nível (funcionalidades e conteúdo) e Como representa os níveis seguintes (design de interação / AI, design de interface e design visual).

O que percebo é que, muitas vezes, os clientes não têm uma visão clara do Porquê de seu produto ou serviço, mas procuram consultoria profissional com a intenção de melhorar o arranjo e o funcionamento da interface (Como). Mas, claro, isso é compreensível e o nosso dever é esclarecê-los.

Via InfoDesign.

Publicado 12/06/2010 às 04h21 | Comentários (5)

Prazer em ajudar startups

Ano passado, Karine, Leandro e eu, além de outros profissionais, fomos escalados pelo Yuri Gitahy a participar do time de mentores da Aceleradora, uma iniciativa que tem feito o trabalho nobre de “ligar investidores e empreendedores, realizando coaching para transformar startups em negócios viáveis”.

Nossa função, como mentores, é auxiliar as startups a construir e melhorar seus produtos e serviços, doando algumas horas de consultoria sobre os assuntos que dominamos.

A Campus Party 2010 foi uma ótima oportunidade de colocar, num mesmo espaço físico, vários desses mentores e startups. Lá, fizemos os primeiros contatos com os empreendedores apoiados pela Aceleradora e pudemos iniciar o mentoring com três delas: Omnilogic, Ninui e Ignit – todas com potencial inegável em seus produtos.

O foco do nosso mentoring foi em aspectos diretamente relacionados à experiência do usuário: utilidade, usabilidade, estética, estratégia de releases e evolução de produto. Além de dicas pontuais sobre como melhorar cada um dos produtos, tentamos, principalmente, guiar essas startups, passando alguns conceitos e práticas de design centrado no usuário.

É um trabalho que não nos dá retorno financeiro imediato, mas que certamente renderá bons frutos a médio e longo prazo. De qualquer forma, a experiência tem sido muito gratificante, pois percebemos, durante as conversas, o quão bem-vinda e útil tem sido a nossa ajuda.

Publicado 10/02/2010 às 01h36 | Comentários (1)

Bookmarklet para o Google Tasks

O Google Tasks, no momento, é minha ferramenta preferida para gerenciar listas de tarefas (GTD, alguém?). Apesar de ser integrado ao Gmail, ele é uma aplicação independente e funciona muito bem no iPhone ou numa janela do navegador, sozinho.

Para poder abrí-lo de forma rápida no computador, sem precisar entrar no Gmail — que nem sempre deixo aberto —, criei um bookmarklet que já abre ele numa janelinha, no tamanho e posição que eu gosto.

Se você tem uma conta no Gmail, pode testar o bookmarklet clicando abaixo:

Bookmarklet Google Tasks

Se achar útil, basta arrastá-lo para sua barra de bookmarks. Você pode também editar o bookmarklet no seu navegador para ajustar as dimensões e a posição em que ele abre.

Pra quem usa ele no Firefox, uma outra opção é criar um bookmark que abre o Google Tasks numa barra lateral do navegador.

Publicado 15/07/2009 às 15h17 | Comentários (4)

Preço fixo em projetos é, geralmente, um equívoco

Este vídeo do professor José Papo mostra quão equivocado está o nosso mercado, que toma os contratos de preço fixo como um padrão absoluto. Além disso, explica rapidamente as formas alternativas de negociação do trabalho, muito mais vantajosas para ambas as partes (contratante e contratado). Ele fala com foco específico para desenvolvimento de software, mas a lição cabe para todas as áreas que lidam com projetos onde o resultado final não é especificado detalhadamente.


Contratação de projetos de Software, manutenção de sistemas e portfólio de projetos com Agilidae – Falando em Agile 2008 from Caelum on Vimeo.

Via Mundo.IT.

Publicado 10/03/2009 às 08h17 | Comentários (0)

Você está louco! – Ricardo Semler

Ricardo Semler é um empresário brasileiro genial, de quem, curiosamente, ouvi falar pela primeira vez num blog estrangeiro (Signal vs. Noise), há aproximadamente um ano. Desde então, só pesquisei algumas coisas sobre ele na internet. Durante este carnaval, tive a oportunidade de pegar emprestado seu livro mais recente, Você está louco!, que devorei em pouco mais de um dia.

Nessa auto-biografia, Semler conta, de forma intercalada, histórias de vida profissional e pessoal, descreve sua forma inovadora de administrar seus (vários) empreendimentos e expõe seus pontos de vista sobre como o mundo deveria funcionar—desde o processo de educação, à organização da cidade de São Paulo e a divisão dos países pelo mundo. Conta também as lições que aprendeu em algumas de suas viagens a lugares exóticos na Ásia e Oriente médio. São aventuras dignas de Indiana Jones.

Uma das coisas que me impressionaram foi sua precocidade profissional: Semler tomou as rédeas da Semco, empresa fundada por seu pai, aos vinte e poucos anos e iniciou, gradualmente, seu processo de transformação para um modelo democrático de administração, que dava poder de decisão e participação a todos os funcionários da empresa, de forma igualitária. E isso foi nos anos 80!

Semler, um questionador incorrigível, critica duramente a forma de organização das instituições atuais (comparando suas estruturas ao modelo militar e afirmando que tratam seus colaboradores como adolescentes).

Você está louco! motiva a olhar os problemas e as regras estabelecidas de um outro ângulo. É bem mais que um livro sobre negócios e administração, como está classificado na contra-capa.

Não me surpreendi quando, mais para o fim do livro, o autor faz algumas referências ao design de coisas que funcionam precariamente desde que foram criadas e a incapacidade de inovação por parte das empresas que já têm seus mercados estabelecidos.

Talvez, para leitores um pouco mais velhos que eu, Ricardo Semler não seja nenhuma novidade. No fim dos anos 80 e início dos 90, quando lançou seu primeiro livro (Virando a própria mesa), Semler fazia palestras país afora, tinha colunas em jornais e até um programa de rádio. Isso foi quando eu ainda não tinha muito interesse nesses assuntos, pois estava muito ocupado ouvindo música grunge

De lá pra cá, ele teve seus livros lançados em mais de uma centena de países e teve suas iniciativas documentadas, estudadas e copiadas por empresas, universidades e emissoras de TV de todo o mundo.

Pra mim, a lição que Ricardo Semler passa só vem a reforçar que, na era que estamos entrando, precisamos levar a sério o Design Thinking, colocar em cheque o status quo e integrar o design como elemento estratégico nas instituições de forma geral, principalmente nas camadas de decisão.

E sempre perguntar o “porquê” de tudo… três vezes.

Publicado 26/02/2009 às 10h33 | Comentários (3)