Você está louco! – Ricardo Semler

Ricardo Semler é um empresário brasileiro genial, de quem, curiosamente, ouvi falar pela primeira vez num blog estrangeiro (Signal vs. Noise), há aproximadamente um ano. Desde então, só pesquisei algumas coisas sobre ele na internet. Durante este carnaval, tive a oportunidade de pegar emprestado seu livro mais recente, Você está louco!, que devorei em pouco mais de um dia.

Nessa auto-biografia, Semler conta, de forma intercalada, histórias de vida profissional e pessoal, descreve sua forma inovadora de administrar seus (vários) empreendimentos e expõe seus pontos de vista sobre como o mundo deveria funcionar—desde o processo de educação, à organização da cidade de São Paulo e a divisão dos países pelo mundo. Conta também as lições que aprendeu em algumas de suas viagens a lugares exóticos na Ásia e Oriente médio. São aventuras dignas de Indiana Jones.

Uma das coisas que me impressionaram foi sua precocidade profissional: Semler tomou as rédeas da Semco, empresa fundada por seu pai, aos vinte e poucos anos e iniciou, gradualmente, seu processo de transformação para um modelo democrático de administração, que dava poder de decisão e participação a todos os funcionários da empresa, de forma igualitária. E isso foi nos anos 80!

Semler, um questionador incorrigível, critica duramente a forma de organização das instituições atuais (comparando suas estruturas ao modelo militar e afirmando que tratam seus colaboradores como adolescentes).

Você está louco! motiva a olhar os problemas e as regras estabelecidas de um outro ângulo. É bem mais que um livro sobre negócios e administração, como está classificado na contra-capa.

Não me surpreendi quando, mais para o fim do livro, o autor faz algumas referências ao design de coisas que funcionam precariamente desde que foram criadas e a incapacidade de inovação por parte das empresas que já têm seus mercados estabelecidos.

Talvez, para leitores um pouco mais velhos que eu, Ricardo Semler não seja nenhuma novidade. No fim dos anos 80 e início dos 90, quando lançou seu primeiro livro (Virando a própria mesa), Semler fazia palestras país afora, tinha colunas em jornais e até um programa de rádio. Isso foi quando eu ainda não tinha muito interesse nesses assuntos, pois estava muito ocupado ouvindo música grunge

De lá pra cá, ele teve seus livros lançados em mais de uma centena de países e teve suas iniciativas documentadas, estudadas e copiadas por empresas, universidades e emissoras de TV de todo o mundo.

Pra mim, a lição que Ricardo Semler passa só vem a reforçar que, na era que estamos entrando, precisamos levar a sério o Design Thinking, colocar em cheque o status quo e integrar o design como elemento estratégico nas instituições de forma geral, principalmente nas camadas de decisão.

E sempre perguntar o “porquê” de tudo… três vezes.

Livros sobre web standards em português

Numa varredura pela seção de livros sobre internet do Submarino, percebi que há outros em português falando de web standards, além do livro do Zeldman.

No meio de vários sobre programação, administração de sistemas e alguns velhos conhecidos, estavam alguns que eu nunca havia visto, como o Construindo Sites Adotando Padrões Web do Marcelo Silva Macedo, lançado em 2004 e este, de 2003: Criando Sites Web com Folhas de Estilo (Nilson Ruas).

Outro, aparentemente mais teórico, me interessou bastante e provavelmente será a próxima aquisição: Web Semântica: a Internet do Futuro

Aviso que, como não li nenhum desses livros, isto não é uma recomendação, OK? Se você conhece algum deles, deixe seu comentário.

O livro do Memória

O livro já deve ter sido publicado há quase um ano, mas só agora, após duas semanas de leitura em pequenas parcelas não-lineares, terminei de ler o Experiência Perfeita do Felipe Memória.

Talvez por já acompanhar o trabalho do autor pelo blog pessoal e conhecer alguns dos cases analisados, pude ir pulando de ponto a ponto no livro, sem perder o fio da meada. Mas acho que qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento no assunto poderia ler dessa forma.

No livro, Memória explica a metodologia de design centrado na experiência do usuário e revela os processos de criação dos produtos online da Globo.com—onde trabalha como designer de interface—, além de analisar vários cases de outras empresas. Apresenta a essência da experiência perfeita e ainda explica porque alguns sites, mesmo com falhas evidentes de usabilidade, ainda conseguem muito sucesso.

Leitura fundamental pra todo mundo que trabalha nessa rede metida a “dois ponto zero”, mas que ainda está noventa por cento em versão alfa.

A extensão do livro é um blog de mesmo nome, onde o autor e outros colaboradores escrevem sobre o assunto.

Teremos um livro sobre os padrões

O Henrique Costa Pereira e o Diego Eis estão escrevendo um livro sobre web standards. Um baita desafio, mas estou certo de que eles não vão ter tanta dificuldade, tendo em vista a qualidade, o volume e regularidade com que escrevem em seus blogs. Pode saber que vem coisa boa por aí.

O Brasil é muito carente de publicações nessa área. Na verdade, além do livro do Zeldman (que é muito bom pra quem está começando, mas só arranha a superfície do ponto de vista técnico), não conheço nenhum outro em português.

Provavelmente essa é a lacuna que eles pretendem preencher: as minúcias técnicas do CSS e o XHTML semântico e acessível, o processo de produção, um pouco de microformats, etc. Um apanhado melhorado e organizado dos melhores artigos deles. Tudo que o pessoal que ainda está nas tabelas precisa pra começar a trabalhar corretamente.

Será que é isso mesmo? É aguardar pra ver.

Não me faça pensar

Se eu tivesse que escolher apenas um livro para ler na vida sobre web design ou usabilidade, este seria Don’t make me think do Steve Krug. O cara desmistifica a usabilidade numa linguagem muito fácil e didática, além de dar o passo-a-passo de como aplicar testes com usuários de forma bem prática.

Não é um livro novo e já foi muito comentado, mas como a edição em português está esgotada, eu decidi comprar a edição original na Amazon só há um mês.

Zeldman e os standards maravilhosos

Capa do livro 'Projetando websites compatíveis'

O trabalho não tem me deixado tempo para postar neste blog com a freqüência que eu gostaria. Além do trabalho, tem outra coisa que está me tomando o tempinho que sobra: ganhei o livro Projetando Web Sites compatíveis do Jeffrey Zeldman.

Confesso que de tanto que já li sobre o assunto na internet achei que não iria encontrar nada de novo no livro, mas o cara conseguiu me surpreender. Dá um show de história da evolução dos browsers e convence qualquer um de adotar os padrões. E mesmo nas partes que falam das minúcias técnicas do XHTML e CSS ele consegue me prender. Tá difícil dormir antes da 1h da madrugada.

Esse livro, lançado nos EUA em 2003, revolucionou a forma de se fazer web sites e causou essa febre de “conversões” que se vê hoje. Já reparou no código fonte do Terra? Nenhuma tabelinha pra formatação, só HTML bem estruturado e semântico.

Por falar em tabela, o termo da última moda é o tal do tableless… quem inventou isso? O desenvolvimento com padrões vai muito além de simplesmente deixar de usar tabelas na estruturação visual das páginas. Vamos combinar: esquecemos o termo tableless de lado e usamos só web standards ou padrões web daqui pra frente, OK?

No mais, é isso: trabalhando bastante, dormindo pouco, mas empolgado como sempre.

Publicado em 04/11/2004