Um framework para design de experiência: Why, What, How

RJ Owen, num artigo para o site InsideRIA, define um framework que dividide a visão de um produto interativo em três partes: Why, What, How (Porquê, O Quê, Como).

  • O Porquê se refere ao contexto: modelo mental do usuário, seus objetivos, ambiente de uso;
  • O Quê é o conteúdo, a informação que deve ser transmitida, os dados; e
  • Como é referente à mecânica do processo, os elementos físicos e digitais com os quais a pessoa interage diretamente.

Esses elementos têm uma dependência hierárquica: se você não compreende o Porquê, é impossível definir corretamente O Quê será oferecido como conteúdo ou funcionalidade ao usuário. Da mesma forma, antes de saber O Quê, não se pode estabelecer Como será a interação.

Nessa linha, o autor faz uma crítica pertinente ao conceito estabelecido na web, que diz que “o conteúdo é rei” quando, na realidade, dentro desse framework, o rei seria o Porquê.

Fica evidente a semelhança com os elementos da experiência do usuário, de Garret: Porquê é equivalente ao primeiro nível (necessidades do usuário e objetivos do negócio), O Quê é análogo ao segundo nível (funcionalidades e conteúdo) e Como representa os níveis seguintes (design de interação / AI, design de interface e design visual).

O que percebo é que, muitas vezes, os clientes não têm uma visão clara do Porquê de seu produto ou serviço, mas procuram consultoria profissional com a intenção de melhorar o arranjo e o funcionamento da interface (Como). Mas, claro, isso é compreensível e o nosso dever é esclarecê-los.

Via InfoDesign.

Prazer em ajudar startups

Ano passado, Karine, Leandro e eu, além de outros profissionais, fomos escalados pelo Yuri Gitahy a participar do time de mentores da Aceleradora, uma iniciativa que tem feito o trabalho nobre de “ligar investidores e empreendedores, realizando coaching para transformar startups em negócios viáveis”.

Nossa função, como mentores, é auxiliar as startups a construir e melhorar seus produtos e serviços, doando algumas horas de consultoria sobre os assuntos que dominamos.

A Campus Party 2010 foi uma ótima oportunidade de colocar, num mesmo espaço físico, vários desses mentores e startups. Lá, fizemos os primeiros contatos com os empreendedores apoiados pela Aceleradora e pudemos iniciar o mentoring com três delas: Omnilogic, Ninui e Ignit – todas com potencial inegável em seus produtos.

O foco do nosso mentoring foi em aspectos diretamente relacionados à experiência do usuário: utilidade, usabilidade, estética, estratégia de releases e evolução de produto. Além de dicas pontuais sobre como melhorar cada um dos produtos, tentamos, principalmente, guiar essas startups, passando alguns conceitos e práticas de design centrado no usuário.

É um trabalho que não nos dá retorno financeiro imediato, mas que certamente renderá bons frutos a médio e longo prazo. De qualquer forma, a experiência tem sido muito gratificante, pois percebemos, durante as conversas, o quão bem-vinda e útil tem sido a nossa ajuda.

Bookmarklet para o Google Tasks

O Google Tasks, no momento, é minha ferramenta preferida para gerenciar listas de tarefas (GTD, alguém?). Apesar de ser integrado ao Gmail, ele é uma aplicação independente e funciona muito bem no iPhone ou numa janela do navegador, sozinho.

Para poder abrí-lo de forma rápida no computador, sem precisar entrar no Gmail — que nem sempre deixo aberto —, criei um bookmarklet que já abre ele numa janelinha, no tamanho e posição que eu gosto.

Se você tem uma conta no Gmail, pode testar o bookmarklet clicando abaixo:

Bookmarklet Google Tasks

Se achar útil, basta arrastá-lo para sua barra de bookmarks. Você pode também editar o bookmarklet no seu navegador para ajustar as dimensões e a posição em que ele abre.

Pra quem usa ele no Firefox, uma outra opção é criar um bookmark que abre o Google Tasks numa barra lateral do navegador.

Adequando o produto às necessidades do mercado

Mudar o mercado é muito difícil. Poucas empresas conseguem mudar o mercado, e mesmo para aquelas que conseguem, isso quase nunca é previsível. Por isso, para empresas que estão começando com uma nova idéia, geralmente é mais interessante descobrir as necessidades dos clientes e se adequarem a elas. É mais fácil mudar um produto do que mudar o mercado.

Conversando com meu amigo Leandro Alves, conheci um exemplo interessante de adequação do produto à necessidade do mercado. Ele é responsável pela experiência do usuário numa startup chamada Meliuz. O Meliuz agrupa cupom de desconto de diversas lojas e fideliza seus usuários com cashback (devolução em dinheiro de parte do valor gasto nas compras).

Quando lançaram o serviço, o cliente sempre tinha que passar pelo site do Meliuz antes de realizar uma compra, se quisesse ter acesso às ofertas, receber os descontos e o cashback. Foi feita uma pesquisa de satisfação online, com 4 perguntas abertas, que obteve em torno de 300 respostas. A pesquisa mostrou que muitos usuários não se lembravam de passar pelo site antes de realizar suas compras.

Para solucionar esse problema, desenvolveram o Lembrador, uma extensão que pode ser instalada pelos usuários em seus navegadores. Com o Lembrador instalado, sempre que o usuário acessa diretamente alguma loja que tenha desconto e cashback, um lembrete aparece na tela e, com apenas um click, ele ativa os benefícios, sem precisar passar antes pelo site.

Depois do lançamento do Lembrador, o volume de pessoas que ativam o cashback aumentou em 680%! Sendo que 45% são feitas por meio do Lembrador.

É um bom exemplo de como a empresa descobriu a necessidade do mercado e como o serviço foi adequado para atender essa necessidade. O resultado é: mais vendas para a empresa, mais satisfação para os clientes.

Preço fixo em projetos é, geralmente, um equívoco

Este vídeo do professor José Papo mostra quão equivocado está o nosso mercado, que toma os contratos de preço fixo como um padrão absoluto. Além disso, explica rapidamente as formas alternativas de negociação do trabalho, muito mais vantajosas para ambas as partes (contratante e contratado). Ele fala com foco específico para desenvolvimento de software, mas a lição cabe para todas as áreas que lidam com projetos onde o resultado final não é especificado detalhadamente.


Contratação de projetos de Software, manutenção de sistemas e portfólio de projetos com Agilidae – Falando em Agile 2008 from Caelum on Vimeo.

Via Mundo.IT.

Você está louco! – Ricardo Semler

Ricardo Semler é um empresário brasileiro genial, de quem, curiosamente, ouvi falar pela primeira vez num blog estrangeiro (Signal vs. Noise), há aproximadamente um ano. Desde então, só pesquisei algumas coisas sobre ele na internet. Durante este carnaval, tive a oportunidade de pegar emprestado seu livro mais recente, Você está louco!, que devorei em pouco mais de um dia.

Nessa auto-biografia, Semler conta, de forma intercalada, histórias de vida profissional e pessoal, descreve sua forma inovadora de administrar seus (vários) empreendimentos e expõe seus pontos de vista sobre como o mundo deveria funcionar—desde o processo de educação, à organização da cidade de São Paulo e a divisão dos países pelo mundo. Conta também as lições que aprendeu em algumas de suas viagens a lugares exóticos na Ásia e Oriente médio. São aventuras dignas de Indiana Jones.

Uma das coisas que me impressionaram foi sua precocidade profissional: Semler tomou as rédeas da Semco, empresa fundada por seu pai, aos vinte e poucos anos e iniciou, gradualmente, seu processo de transformação para um modelo democrático de administração, que dava poder de decisão e participação a todos os funcionários da empresa, de forma igualitária. E isso foi nos anos 80!

Semler, um questionador incorrigível, critica duramente a forma de organização das instituições atuais (comparando suas estruturas ao modelo militar e afirmando que tratam seus colaboradores como adolescentes).

Você está louco! motiva a olhar os problemas e as regras estabelecidas de um outro ângulo. É bem mais que um livro sobre negócios e administração, como está classificado na contra-capa.

Não me surpreendi quando, mais para o fim do livro, o autor faz algumas referências ao design de coisas que funcionam precariamente desde que foram criadas e a incapacidade de inovação por parte das empresas que já têm seus mercados estabelecidos.

Talvez, para leitores um pouco mais velhos que eu, Ricardo Semler não seja nenhuma novidade. No fim dos anos 80 e início dos 90, quando lançou seu primeiro livro (Virando a própria mesa), Semler fazia palestras país afora, tinha colunas em jornais e até um programa de rádio. Isso foi quando eu ainda não tinha muito interesse nesses assuntos, pois estava muito ocupado ouvindo música grunge

De lá pra cá, ele teve seus livros lançados em mais de uma centena de países e teve suas iniciativas documentadas, estudadas e copiadas por empresas, universidades e emissoras de TV de todo o mundo.

Pra mim, a lição que Ricardo Semler passa só vem a reforçar que, na era que estamos entrando, precisamos levar a sério o Design Thinking, colocar em cheque o status quo e integrar o design como elemento estratégico nas instituições de forma geral, principalmente nas camadas de decisão.

E sempre perguntar o “porquê” de tudo… três vezes.

Revista da pós-graduação em Design de Interação

Terminei a pós-graduação em Design de Interação na PUC Minas em julho do ano passado. Queria ter contado mais coisas aqui no blog sobre o desenrolar do curso e tudo que aprendi, mas outras atribuições me impediram de fazê-lo. Dentre essas atribuições, estavam os próprios trabalhos do curso, que, em algumas das disciplinas, consistiam em escrever um artigo relacionado ao que foi estudado.

No final do curso, foram escolhidos cinco desses artigos escritos pelos alunos. Eu tive a honra de estar entre eles. Meu artigo, intitulado Um modelo de cilco de vida para design de websites com foco no usuário, foi publicado na revista.

Legal também foi ter meus dois sócios, Karine e Leandro —somente meus colegas na época—, também na lista dos autores.

A revista está disponível para download no site do curso.

Mais um Dia Mundial da Usabilidade

Ontem foi o Dia Mundial da Usabilidade. Ou seja, dia de ao ir ao Instituto de Educação Continuada da PUC Minas, desde 2005. Só que dessa vez foi um pouco diferente pra mim, pois participei da organização.

A Latitude14, o IEC/PUC Minas e o curso de Especialização em Design de Interação promoveram o DMU 2008 em Belo Horizonte. No evento deste ano tivemos seis palestras e, em paralelo, a apresentação do Projeto Aqua, da Cúmplice.

As fotos que tirei já estão disponíveis no Flickr. Em breve publicaremos os slides e vídeos das apresentações no site do evento.

Série de entrevistas com designers de interação

Eu sou suspeito pra falar, pois são meus sócios, mas achei excelente a iniciativa do Leandro e da Karine de fazer uma série de entrevistas com outros designers de interação, falando sobre a trajetória profissional e o contexto de trabalho de cada um. Acho importante pra gente ter essa referência, saber como é, na prática, o trabalho em empresas que investem pesado em experiência do usuário.

Por enquanto, eles publicaram uma entrevista em cada blog:

E tem mais vindo por aí.

Ao invés de redesign, uma abordagem estilo Agile

Temos conversado muito aqui na Latitude14 sobre a aplicação dos conceitos de desenvolvimento ágil (ou Agile) no processo de design com foco na experiência do usuário. Tentamos herdar idéias como:

  • começar desenvolvendo somente a essência, a menor unidade de um sistema (sem perder a visão do todo, claro);
  • colocar o produto nas mãos do usuário para se ter feedback o mais cedo possível (iterar cedo para iterar mais); e
  • reduzir a burocracia e a documentação (documentos e relatórios mais “digeríveis”).

Falei um pouco disso num post anterior. A Karine também escreveu um post bem esclarecedor sobre o assunto no blog dela. Vemos que maioria dos projetos pode se beneficiar dessa abordagem, até mesmo produtos que já estão prontos.

Onde quero chegar com isso: existe uma cultura fortíssima de redesign no mercado. Pelo menos é o que constatamos, de forma muito evidente, aqui em Belo Horizonte, principalmente quando se fala em websites.

Não sei dizer se é uma estratégia das produtoras e agências para obter mais lucro, se ainda não pensaram em trabalhar de outra forma, ou se os clientes demandam redesigns sempre e elas não têm argumentos para justificar uma abordagem incremental. Talvez as três coisas.

Quando se faz um redesign completo, não há tempo de aprender o suficiente e acaba-se focando somente nos problemas principais do produto anterior. Fatalmente, numa nova versão, também surgem novos problemas, que serão cobertos muito depois, num novo redesign, já que a verba se foi toda no primeiro.

Como gostam de dizer os gringos, “joga-se fora o bebê junto com a água da banheira”. E aí ficamos nesse ciclo vicioso, no qual nunca se chega a um produto totalmente maduro. Melhoram-se alguns aspectos enquanto surgem novos, os projetos duram vários meses e, quando vão ao ar, já têm problemas congênitos.

Quando foi a última vez que você viu um redesign completo da Amazon ou da Netflix, por exemplo? O mesmo vale para o Google e o Yahoo!, que fazem melhoras constantes e seus produtos, ao invés de jogar tudo no chão e reconstruir do zero. São empresas que têm essa mentalidade, não porquê são grandes, mas porque precisam construir produtos sólidos, com o mínimo de risco possível.

Se é feito inicialmente um estudo mais criteiroso dos problemas que existem na versão atual de um produto, de forma a ordená-los em ordem de criticidade, é possível quebrar o grande redesign em pequenos projetos.

Refazer ou melhorar somente uma pequena parte ou aspecto de uma aplicação ou website faz com que aquele seja um produto melhor num prazo muito mais curto. Além disso, aprende-se sobre o contexto, os usuários e outros stakeholders no processo. E esse aprendizado é reaproveitado nos “mini-projetos” seguintes.